segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sala de aula: A leitura e suas diferentes estratégias

Sala de aula: A leitura e suas diferentes estratégias
Relato de prática com a minha turma de primeiro ano (2012) desenvolvido para o curso A criança de 6 anos no Ensino Fundamental

Enquanto que as atividades de leitura são tradicionalmente realizadas com o objetivo de apenas ensinar as crianças a ler e a escrever contando como recursos os textos escolares e os questionários de interpretação que acabam assustando os educandos, Délia Lerner propõe que a escola deve aproximar as crianças da leitura, não distanciando-a de seu uso na sociedade.


Alguns de nossos momentos de leitura

Existem formas diferentes de ler e, ainda segundo a autora, cada leitura tem um fim, um objetivo, além do que, dependendo da obra, é aberta a múltiplas interpretações. Para que cada forma de ler seja ensinada, é preciso que o professor utilize diversos tipos de texto - e não somente os textos escolares -, e considere também a relação entre o leitor com o texto, ou seja, as múltiplas interpretações dos alunos e se apoiar nelas, até que construam uma interpretação mais ajustada.

Desde o começo do ano trabalhei com a leitura de diversos tipos de texto com os meus alunos: literários (poemas, contos de fadas, fábulas, etc.), jornalísticos (notícias e suas manchetes), informativos (textos científicos para crianças de revistas ou internet, definições em dicionários, sinopses), instrucionais (regras de jogos, receitas), epistolares (cartas e bilhetes), humorísticos (piadas, adivinhas, histórias em quadrinhos) e até publicitários (propagandas). Os textos eram selecionados de meu acervo pessoal, da biblioteca da escola, da internet ou da nossa sala de leitura, e costumavam ter alguma relação com a temática das atividades que seriam desenvolvidas ao longo do dia ou da semana.

Como atividade habitual, lia todos os dias para os alunos um texto literário no início de cada aula e o objetivo desta atividade era desenvolver o comportamento ouvinte, o prazer pela leitura, assim como a interpretação. No início, algumas crianças se levantavam durante as leituras, outras conversavam com seus colegas, ou até mesmo ficavam brincando com os seus materiais. Ao longo do ano esse comportamento foi sendo desenvolvido devido à frequência com que foi trabalhado, até que todos passaram a se atentar às leituras, assim como procurar os portadores desses textos nos cantinhos para lerem novamente. Para saber mais sobre esse tipo de leitura, clique aqui.


Outros de nossos momentos de leitura

Procurei valorizar a interpretação de cada criança sobre os textos lidos, que sempre relacionavam com as suas experiências pessoais, assim como faziam intertextualidades: perceberam que o livro A fantástica fábrica de chocolate, de Roald Dahl, era diferente do filme dirigido por Tim Burton; que Pretinha de neve e os sete gigantes era uma versão do clássico conto de Branca de Neve; entre muitas outras. Ainda sobre a interpretação, confeccionamos um livro com ilustrações, onde as crianças relembraram o que aconteceu em cada capítulo de A fantástica fábrica de chocolate.

Os textos informativos eram trabalhados uma vez por semana ou a cada quinze dias, e os outros tipos de acordo com a nossa necessidade ou conforme a temática ia surgindo com as demais disciplinas, como no caso de termos lido propagandas de perfume quando estávamos estudando o olfato em Natureza e Sociedade.

Tivemos também as leituras pelos alunos de diversos tipos de texto que eram realizadas nos cantinhos ou em outros momentos, e leituras compartilhadas, onde as crianças liam situações-problema ou enunciados de atividades para os seus pares e os interpretavam, assim como a leitura diária de nossa rotina - não exigia, aqui, que copiassem sempre em seus cadernos, afinal o objetivo desta atividade era desenvolver a leitura.

Para avaliar a leitura dos alunos, fazia tanto observações como sondagens, que eram baseadas nas expectativas de cada bimestre para o primeiro ano, de acordo com as Orientações Curriculares municipais (ler palavras cotidianas, ler textos de memória, etc.).

+ Para saber mais
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: O real, o possível e o necessário. São Paulo: Artmed, 2002.

5 comentários :

  1. Fernanda... parabéns pelo trabalho e comprometimento é pouco! Fico feliz, fico esperançosa, fico orgulhosa da sua juventude tão rica e cheia de curiosidades e experiências! É assim que sempre vi minha profissão! Aliando meu gosto pessoal ao meu trabalho, pude viver momentos especiais. Vejo que seus momentos são assim, cheios de leitura, buscas, propostas... é realmente muito bonito de acompanhar! É rock and roll!

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    1. Muito obrigada, professora! =)
      Não sei se já te contei, mas desde a graduação você sempre foi uma de minhas inspirações no que se refere à leitura - tanto em sala de aula, como fora dela. Passei a gostar de literatura infantil por sua causa! =)

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  2. Parabéns Fernanda, é muito bom ver que ainda existem crianças que adoram um bom livro, com essa tecnologia de hoje me asssuta muito em relação a aprendizado sei que não é uma coisa ruim, mas é muito bom ser ensinado como antigamente.

    ★http://simpleseagradavel.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada! =)
      Mas também utilizei bastante a tecnologia como recurso para ensinar a ler - só esqueci de citar! E não sei exatamente se são ensinadas como antigamente... Acho que elas ririam de mim se eu chegasse com um texto de cartilha! "O bebê babou na babá", "Ivo viu a uva"! XD

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  3. Que legal, Fê! Eu aprendi a ler muito cedo, porque minha irmã mais velha ~ diferença mágica de 18 anos ~ é professora de português e ela sempre comprava aqueles kits de fábulas e contos de fada pra mim. No começo ela lia, depois de um tempo eu decorei e saia com o livrinho da Branca de Neve na mão, passando de página e falando, fingindo que tava lendo ... daí eu aprendi! Gosto de ler até hoje ^3^

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