sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sala de aula: Leitura por prazer pelo professor

Sala de aula: Leitura por prazer pelo professor
Diferente do que consideravam no ensino tradicional, ler vai muito além de saber decodificar o código escrito. Para que alguém seja considerado um leitor crítico, ele precisa ter desenvolvidas algumas habilidades - como selecionar o material escrito adequado para atender as suas necessidades, buscar soluções de problemas, ler entrelinhas, assumir uma posição diante do texto, entre muitas outras. Essas habilidades devem ser trabalhadas em sala de aula e para que sejam mais significativas o professor deve aproximar a prática da leitura com a sua função social.


Alguns materiais literários infantis

Fora da escola, utilizamos a leitura com diversas estratégias: lemos para seguir instruções, para obter informações, para aprender, para revisar um escrito próprio, para verificar o que compreendemos, por prazer. Essas e outras estratégias devem ser inseridas em sala de aula para formarmos leitores fluentes, e podem ser desenvolvidas tanto através de projetos, como com sequências didáticas e atividades ocasionais ou habituais.

Quando a estratégia é ler por prazer, logo os textos que procuramos são aqueles da esfera literária: poemas, histórias em quadrinhos, contos de fadas, contos maravilhosos e fábulas são alguns exemplos que fazem parte da categoria infanto-juvenil. Existem várias formas de trabalhar com essa estratégia em sala: uma delas é a leitura em voz alta pelo professor, que também tem como objetivos aumentar o repertório dos alunos e desenvolver o comportamento ouvinte.


Uma das leituras com a minha turminha de 2012

Eu costumo levar todos os dias um texto de literatura para ler com os meus alunos. Para selecioná-lo, um dos meus critérios é se gostei da obra como leitora: quando vou conhecê-la, esqueço que sou professora para não ficar analisando e pensando o que posso desenvolver com ela, senão a leitura não flui. Depois parto para as análises: do texto, das ilustrações, se é uma obra adequada à faixa etária, enfim. Outro cuidado que tenho é de selecionar textos com tamanhos diferentes: dos mais curtinhos aos com diversos capítulos, que divido ao longo das aulas.

Ok, material selecionado! Antes de começar a leitura propriamente dita, sempre mostro a capa de seu portador (livro, revista, HQ) para que identifiquem o título, editora e nomes do autor e ilustrador (falo um pouquinho sobre eles também para contextualizar a obra). Daí proponho para que façam as suas previsões: Sobre o que vocês acham que se trata o texto? Por que será que ele tem esse nome? Esse título lembra outra obra? Aqui conto também o porquê de eu a ter selecionado ("Li na minha casa este poema e achei tão bonito!", "Gostei bastante da mensagem desta obra e gostaria de compartilhar vocês!", "Lembrei do Fulano quando li esta HQ, porque ele gosta muito de futebol!").

Depois que fizeram os seus comentários, começamos com a leitura. Aqui tenho todo um cuidado com a entonação, mudo a voz de acordo com as personagens (mas não forçosamente) e evito parar para explicar o significado de palavras difíceis; paro somente em alguns pontos estratégicos para gerar expectativas ("O que será que vai acontecer agora?", "Querem saber o que vai acontecer no próximo capítulo? Ah, só vindo na aula de amanhã!").

Assim que a leitura acaba, confirmamos (ou não) as previsões e partimos para uma discussão a respeito da obra. As perguntas variam dependendo da obra que escolhi, mas sempre pergunto primeiro o que acharam, para depois ouvir suas interpretações. É válido lembrar que uma obra pode gerar múltiplas interpretações já que cada um pode compreendê-la de uma forma diferente. Procuro também gerar intertextualidades (que relacionem o texto com suas vivências, com outros textos, vídeos, músicas, etc.).

Partindo da temática do texto, realizo algumas vezes também outras atividades das mais diversas áreas, mas tomo bastante cuidado para que a minha leitura não se reduza somente a esses objetivos. Lembram que meu objetivo principal é desenvolver a leitura por prazer? Se toda vez que eu ler tiver que, em seguida, passar algum exercício relacionado, as crianças associarão que as leituras não podem ter um fim nelas mesmas.

Os momentos em que realizo as leituras em voz alta para a turma são uns dos meus favoritos em sala! A gente percebe que o trabalho tem dado certo quando olha para os rostinhos deles e vê que estão muito atentos, que no meio da leitura se empolgam e querem fazer comentários, que aplaudem no final do texto, que procuram na biblioteca para ler novamente ou para ler o próximo capítulo antes de todos os outros. Posso dizer que estas práticas tem contribuído para o desenvolvimento da estratégia de leitura por prazer e, sobretudo, para o desenvolvimento de leitores fluentes!

Para saber mais
• FARIA, Maria Alice. Como usar a literatura infantil na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2008.
• LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.
• SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998.
• ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 2003.

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