sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sala de aula: A fantástica fábrica de chocolate

Sala de aula: A fantástica fábrica de chocolate
O primeiro trabalho interdisciplinar que meu grupo e eu desenvolvemos na Pedagogia foi a análise e a confecção de um portfólio sobre um filme, e escolhemos A fantástica fábrica de chocolate - um deles dirigido por Tim Burton (2005) e o outro por Mel Stuart (1971). A partir das nossas pesquisas, descobrimos o livro do autor Roald Dahl e desde então se tornou um dos meus favoritos - tanto que li diversas vezes em meu tempo livre e resolvi compartilhar com meus alunos.

Apesar de ter sido escrito em 1964, há quase 50 anos, existe uma crítica aos aspectos que são ainda comuns em nossa sociedade capitalista: o consumismo desenfreado, a competitividade, o vício por tecnologia. Quem são os culpados? Os pais, que não souberam educar e foram permissivos demais, fazendo tudo o que os seus filhos desejavam. A alternativa de Willy Wonka para lidar com isso parte de outro extremo, o autoritarismo: através da premiação aos que abaixam a cabeça e da punição àqueles que desobedecem, e ai de quem questionar esse seu sistema! Mas seria a escolha mais adequada para os tempos modernos, onde devemos, na verdade, formar cidadãos que sejam críticos?


Uma das cenas do filme de Tim Burton

É verdade que, enquanto lia para as turmas de 1° e 2° ano do Ensino Fundamental I, as passagens que mais chamavam a atenção das crianças eram aquelas que tratavam das invenções fantásticas do Sr. Wonka ou das dificuldades e conquistas do pequeno Charlie Bucket, mas nada me impedia de incentivá-los a fazer determinadas reflexões. Algumas discussões que proporcionei foram a respeito do trabalho escravo dos Umpa-Lumpas (que trabalhavam dia e noite e eram pagos com míseras sementes de cacau) e sobre o dono da fábrica ser tão manipulador (já que parecia ter organizado tudo para dar as suas "lições" às crianças mal-criadas).


Algumas atividades com a temática do livro. Clique para baixar!

Além desses momentos de interpretação e reflexão, aproveitei também o entusiasmo de ambas as turmas para desenvolver outras atividades com a mesma temática, como situações-problema, produções textuais, reflexões sobre a língua escrita (como completar as lacunas das músicas cantadas pelos Umpa-Lumpas), e assistimos ao filme dirigido por Tim Burton a fim de compararmos as obras. Com uma das turmas, confeccionamos também um livro com ilustrações de cada capítulo em nosso cantinho de Artes, onde, a partir da leitura de seus títulos, as crianças relembravam o que havia acontecido, discutíamos e representavam por meio de desenhos.


Livro de ilustrações que confeccionamos

Diferente do que determinados educadores pensam, para que uma leitura seja prazerosa para seus alunos o texto não precisa ser necessariamente curto, mas sim ter qualidade. Durante a leitura dos trinta capítulos, as crianças estavam sempre atentas, faziam combinados para que eu lesse mais de um capítulo por dia, gritavam em coro "ahhhh... mas já?!" assim que eu terminava de ler, e sempre queriam compartilhar suas impressões com os colegas. Isso comprova o quanto esses momentos foram significativos, além de terem proporcionado diversos tipos de aprendizagem!

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